04 de junho de 2025
Fadiga no trabalho noturno: o que os dados de saúde revelam?

A fadiga em turnos noturnos representa um risco significativo para a segurança e o desempenho dos trabalhadores. Ao longo da jornada, o colaborador precisa tomar decisões sob influências internas e externas do contexto de trabalho. O comportamento seguro se relaciona diretamente à teoria de Herbert Simon, que, conforme Viale et al. (2023), modela as ações humanas diante de problemas que limitam sua adaptação. Hjeij e Vilks (2023) afirmam que as decisões são impactadas pelo tempo, pelos recursos mentais e pelas informações disponíveis; por isso, a teoria serve de base para as tecnologias atuais, já que as pessoas não têm acesso nem capacidade de processamento para uma decisão completamente racional. Glimcher (2022) reforça esse ponto ao afirmar que a escolha é eficientemente irracional.
Dessa forma, a análise da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e da movimentação se destaca por identificar momentos críticos e mitigar os impactos da fadiga. Nesse exemplo de caso, avaliamos um perfil de trabalhador de logística durante um turno de 12 horas, iniciando às 19:00, com sinais evidentes de fadiga ao longo da madrugada.


Identificação dos Períodos Críticos
Com base nos dados de monitoramento fisiológico apresentado, foram identificadas três janelas de alto risco:
- 00:45 às 01:30: Após cinco horas de trabalho, observa-se uma queda na frequência cardíaca, e a presença de atividade parassimpática.
- 03:20 às 03:50: No meio da noite, a atividade parassimpática predomina, reduzindo a atenção sustentada e aumentando a probabilidade de erros.
- 04:00 às 04:30: Momento de maior risco: a frequência cardíaca atinge seu menor valor, somada à manutenção da atividade parassimpática.
Impacto da Fadiga na Frequência Cardíaca
A partir da meia-noite, os biomarcadores de VFC RMSSD e pNN50 revelaram uma transição para o predomínio parassimpático, sugerindo a queda da vigília. Durante os períodos críticos, houve uma redução significativa na atenção sustentada, aumentando a vulnerabilidade a erros e falhas operacionais.


Monitoramento e Alertas
Os sensores vestíveis detectaram os momentos de alto risco e emitiram alertas para o trabalhador, orientando-o a tomar medidas para mitigar a sonolência. Quando essas ações foram ineficazes ou não adotadas, o sistema notificou o supervisor, permitindo uma intervenção proativa para reduzir os riscos operacionais.
Descanso e Recuperação
Entre 05:00 e 06:00, o trabalhador teve um breve período de descanso proposital e manteve o uso do dispositivo, o que mostrou que não houve sono reparador. Como resultado, sinais de privação de sono tornaram-se evidentes por volta das 06:00, pelo aumento da variação da frequência cardíaca e dos biomarcadores, demonstrando a dívida de sono acumulada.
Conclusão
No final do turno, às 07:00, o sistema ainda identifica sinais de fadiga e privação de sono. A análise da VFC ao longo da jornada permitiu compreender a relação entre fadiga e desempenho, reforçando a importância do monitoramento contínuo. A combinação de sensores vestíveis, alertas automatizados e supervisão ativa é essencial para prevenir acidentes, otimizar a segurança e promover o bem-estar dos trabalhadores em turnos prolongados.
Saiba mais: Sonolência ao volante, Fadiga acumulada na jornada, BioLink Fleet.